| Ovino-Caprinocultura |
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O consumo de carne de caprinos no Brasil é de 125 gramas por ano por habitante segundo o IBGE. Esse dado contempla apenas o consumo em casa. O nordeste é a região onde mais se consome carne caprina, 365 gramas por habitante por ano. No restante do país o consumo de caprinos é praticamente zero dentro do lar.
Por conta de cruzamentos genéticos, os ovinos deslanados se aproximam dos caprinos e, portanto, as análises que se seguem devem abordar caprinos e ovinos. No caso dos ovinos, o consumo anual no lar apontado pelo IBGE é de 127 gramas por habitante brasileiro, sendo também o nordeste o maior consumidor, com 341 gramas por habitante por ano.
Somados ambos, são 252 gramas por habitante brasileiro no lar e outros 450 gramas fora do lar, perfazendo um total de 700 gramas por habitante por ano. Para efeito de comparação o consumo de carne bovina de segunda, dentro do lar, é de 7,1 kg/hb no Brasil, cerca de 20 vezes maior que o consumo de caprinos e ovinos somados. Mesmo baixo em termos absolutos, o consumo de carne ovina no Brasil é maior que a produção. O Brasil importa cerca de 5 mil toneladas/ano, principalmente do Uruguai.
Grandes disparidades regionais existem na distribuição. Enquanto no nordeste predominam as compras em feiras e o abate para consumo familiar em propriedades rurais e mesmo nas cidades, no sul e sudeste as carnes de ovinos e caprinos são vendidas em lojas especializadas e em restaurantes mais finos.
Pelas características de consumo apontadas acima, a industrialização é baixíssima. As carnes importadas e as produzidas na região sul e sudeste saem dos frigoríficos sob forma de carcaças inteiras ou de cortes específicos como Pernil, paleta, costelas e carré. As vísceras são jogadas fora ou consumidas em preparados domésticos, não havendo praticamente produção de embutidos a partir de ovinos e caprinos no Brasil.
A produção de carne de ovinos e caprinos tem baixo nível de profissionalização em todo o Brasil. Predominam pequenos rebanhos, abates informais para consumo domestico e comercialização limitada. A raça Santa Inês, originária do Brasil a partir de cruzamentos feitos por décadas entre caprinos e ovinos, predomina no país, principalmente no Nordeste, que detém o maior rebanho nacional.
Existe uma produção organizada de matrizes de alto valor, de raças como Santa Inês e Dorper, em algumas propriedades do sudeste, especializadas em melhoramento genético. O sudeste tem também o maior rebanho de cabras leiteiras do país, onde a produção se assemelha em organização ao gado de leite.
Os insumos para a produção pecuária são: material genético (já citado acima), produtos veterinários (verminoses são os principais problemas da ovinocultura) e alimentação (forrageiras e complementos nutricionais). Exatamente pela falta de organização e o rebanho reduzido, as industrias que produzem tais insumos dão pouca ênfase a produtos dirigidos a ovinos e caprinos.
A atratividade do Vale do São Francisco para a cadeia da Ovino-Caprinocultura:
• Disponibilidade de terra para produzir alimentos para o animais e mão de obra com alguma experiência em lidar com caprinos podem ser fatores de atratividade.
• O hábito do nordestino em consumir carne caprina pode ser fator positivo pois consumidores estão próximos ao vale.
• O ciclo de produção de cordeiros (animais abatidos com menos de 6 meses de idade) é curto quando comparado aos bovinos e longo quando comparado aos frangos. Traz alguma similaridade com suínos no ciclo de criação e abate. Portanto, existe uma oportunidade potencial de organizar a produção em sistemas de quase-integração. Entretanto, a estrutura de custos e os requisitos de produção devem ser mais bem analisados para entender as condições de viabilidade econômica da atividade em diversas regiões do país, em especial no VSF. Nos últimos anos, vê-se um esforço de organização da cadeia com a formação de associações de produtores, de fornecedores de genética, e até câmaras setoriais formadas pro governos.Entretanto os resultados estão ainda longe de aparecerem. O ciclo vicioso que ainda não foi equacionado é o seguinte: não há consumo suficiente para respaldar investimentos e não há investimentos em produção que permitam a disponibilidade do produto aos consumidores a preços razoáveis.
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