COOPERATIVAS:
ECONOMIA, CRESCIMENTO E ESTRUTURA DE CAPITAL
Resumo:
A presente Tese discute a natureza da firma cooperativa, de acordo com a analise das relações contratuais, utilizando-se do instrumental teórico da Nova Economia Institucional, particularmente sob o ponto de vista da Economia dos Custos de Transação - ECT, e da “Agency Theory” - AT.
O objetivo deste estudo é analisar o crescimento da firma cooperativa, sua capacidade de adaptação, e os custos de governança financeira, como indutores de problemas para o crescimento das firmas com eficiência econômica.
Verifica-se que a empresa cooperativa, devido ao custo de oportunidade do capital próprio e aos custos da estrutura de governança financeira, apresenta maior viabilidade quando é uma empresa menor com baixa especificidade de ativos. O necessário processo de crescimento da firma faz crescer os custos de transação e de “agency” mais do que em outras tipos de arquitetura organizacional, como das sociedades anônimas.
É apresentada uma revisão teórica sobre a economia da cooperação e a natureza da firma cooperativa, desde as bases doutrinarias da cooperação, a visão neoclássica, as relações contratuais, até a descrição do ambiente institucional no Brasil.
Análises gráficas mostram que quando cresce a especificidade de ativos, os custos de transação da governança financeira também crescem. Por causa destas relações e da proporção dos fatores de produção - capital e trabalho - a empresa cooperativa tende a apresentar maiores custos de transação da governança financeira, e portanto uma estrutura maior de passivos.
Uma aproximação econométrica, com dados financeiros de empresas cooperativas e não cooperativas do setor de alimentos, compara os custos de governança financeira e a especificidade de ativos. O modelo de regressão mostra que a função estimada tem o mesmo comportamento da aproximação teórica da ECT, e que as cooperativas tem maiores custos de transação da governança financeira, do que empresas não cooperativas, quando cresce a especificidade de ativos.
Para completar a analise econométrica dois estudos de caso são elaborados: um sobre a BATAVO, uma cooperativa brasileira de derivados de leite, que transforma a sua estrutura de capital estabelecendo uma aliança estratégica - joint venture - com uma firma não cooperativa, objetivando crescer nos mercados, e decrescer os seus custos da governança da estrutura de capital; e outro sobre a Saskatchewan Wheat Pool - SWP, uma cooperativa canadense que abre a sua estrutura de capital vendendo ações no mercado financeiro - Toronto Stock Exchange - objetivando sobreviver em mercados globais e ganhar eficiência econômica, mas mantendo a base doutrinária do cooperativismo - um homem um voto.
Os estudos de caso mostram que o mercado e o sistema de preços são importantes para incrementar o monitoramento e o incentivo nas relações de “Agency” no interior da organização cooperativa, e também que é possível abrir a estrutura de capital da empresa cooperativa sem modificar as bases doutrinárias do cooperativismo.
Discute-se também sobre a experiência canadense no processo de mudança da estrutura de capital das cooperativas. No Canada a experiência da SWP e a Nova Geração de Cooperativas mostram que por meio de uma nova arquitetura organizacional é possível diminuir os custos de governança financeira e incrementar o monitoramento e os incentivos nas relações de “Agency”, objetivando a necessária eficiência e agilidade de negócios na economia globalizada, respeitando a base doutrinaria do cooperativismo.
Por outro lado, pode-se também concluir que a aproximação teórica da Economia dos Custos de Transação é um instrumento eficiente para explicar a estrutura de capital das empresas agrícolas do setor de alimentos, em função da especificidade de ativos.
Neste estudo é possível observar sob o aspecto teórico que: a) a ECT e da AT explicam o problema; b) o modelo econométrico e as elasticidades, generalizam e mostram a situação; e, c) os estudos de caso confirmam a conclusão de que quando a empresa cooperativa cresce, e cresce a especificidade de ativos, crescem também os custos de transação da governança financeira, mais que em outros tipos de organizacionais de empresas, e são necessárias mudanças em sua estrutura de capital.
Então, ao fim, é possível formular a conclusão que os custos de governança financeira dependem da especificidade de ativos e é necessário mudar o ambiente institucional no Brasil para ser possível recomendar a abertura da estrutura de capital das cooperativas nos mercados financeiros.
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